Num segundo, trouxeram a emoção,
domingo, maio 12, 2013
Num segundo, trouxeram a emoção,
terça-feira, abril 30, 2013
quarta-feira, outubro 19, 2011
#8 - Filosofia de Ponta: Facadas nas costas
terça-feira, setembro 27, 2011
#7 - Filosofia de Ponta: Mosquitos vs Annoying people.
sábado, julho 03, 2010
#6 - Filosofia de Ponta: Ideias Fixas
Não, não vou aqui tecer considerações sobre o Ideiafix, o fiel cão de Obélix, companheiro divertido nas aventuras e camarada voluntário na protecção dos indefesos, da minha saudosa BD, que há tanto tempo que não leio.
Ideia que surge da inspiração de um fantástico texto que um amigo meu tem no blog dele (olá, A .)
De facto, as pessoas vivem de ideias fixas.
Nascemos com uma ideia fixa - ser felizes. É um programa que nos instalam no cérebro, e que somos nós a desenvolver. Mesmo que a mensagem de erro surja irritante e repetidamente, continuamos a fazer OK, sem parar, à espera que o problema se resolva sozinho.
Este conceito de "ser feliz" - ideia fixa por excelência, compõe-se de vários subtítulos, também eles ideias fixas.
A primeira é que só se é feliz quando se tem um bom emprego. Bem, pelo menos quando se TEM emprego. Pois. Não se pode dizer que seja uma mentira pegada... mas então porque é que tantas pessoas se arrastam diariamente para os seus locais de trabalho, carregando nas costas o peso de toneladas de insatisfação? Entramos num autocarro, vemos caras que se contorcem por dentro, mãos que se crispam, olhares cansados de tristeza, absortos, olhando o horizonte longínquo como quem espera o barco salva-vidas que não vem. Estamos numa fila de trânsito, olhamos para as pessoas ao volante do carro ao lado (eu faço isso amiúde...) e raramente vemos um rosto iluminado, trauteando a musiqueta da Rádio, batucando com os dedos no volante. Antes vemos faces carrancudas, a praguejar contra o caos. E vai quase toda a gente para o emprego!!! Esse mesmo que lhes dá a felicidade!!!! Bem, sendo a felicidade um cheque ao fim do mês... ok, são felizes. (alguns, pelo menos...). Mas e o conceito de realização pessoal??? Não conta??? Não, se calhar não conta. Calculo que, por esta ordem de ideias, o nosso primeiro-ministro, ou os administradores nas nossas maiores empresas saiam de casa todos os dias de manhã com um sorriso de orelha a orelha. Ou se calhar nem por isso... (bem, ao nosso Primeiro, desde que magoou a perna na neve, deve custar-lhe mais).
Depois - a ideia de que ter bens materiais é ser feliz - um indivíduo rico é feliz porque é rico. Não contesto, o €€€€ não traz felicidade, mas lá que ajuda... E depois, os mais desprendidos podem sempre usar o vil metal para ir para o Botswana em missão humanitária. Felicidade? Talvez, e muita. Queremos todos ser ricos, a ânsia dos que o são é preencher o vazio de espírito que vem da facilidade entediante das coisas, a ânsia dos que não o são, é ser.... Por isso se joga loucamente no Euro milhões. É uma sociedade de consumo, que valoriza o status, o aspecto, o ter mais que o ser, o poder e quem o detém, o vil metal. Quem pode, pode. Quem não pode... reduz-se à sua insignificância e sai de cima. A Feira das Vaidades instalou-se de tal maneira que as ruas não são ruas, os cafés não são cafés, a assembleia da república não é um local de discussão e resolução das problemáticas da nação: são passerelles de concurso, onde se apura quem mais tem e quem mais pode...
Outra ideia fixa: ninguém é feliz sozinho. CERTO. Mas subverteu-se o conceito de tal maneira, que a definição de "sozinho" é: sem par, sem cônjuge, sem companheiro(a)... Pois sim. Regressamos à dualidade. 2 é o número perfeito (não era o 3??). Só se é perfeito se se for o 1 da expressão 1+1. Isto porque, claro, o resultado desta expressão não é 2, como seria matematicamente correcto, mas antes 1. CONTA ERRADA. 1+1=2, até eu sei isso. O dia de S. Valentim, por exemplo. Pobre santo, que aposto que não queria que usassem o seu nome em vão, é, concerteza, contra esta algaraviada dos ursos de peluche com corações. Tem que ser. Mas percebe-se porque se enfatiza tanto o facto de se ter alguém: as relações já não dão certo, os casais felizes são uma raridade. Logo, quando há escassez... o produto fica-nos mais caro... lei da oferta e da procura. Vários tipos de ideias fixas:
1- A de que se encontramos alguém, e as coisas funcionam, não interessa se não é bem aquilo que queremos... interessa é que seja alguém que esteja connosco, que faça número, e que não nos dê muita chatice. Tipo de relação: Socialmente aceitável, confortável, minimamente estável e... profundamente entediante. E mesmo que se fomente a relação paralela... o que interessa é fazer estatística, jogar no clube dos números pares. Mesmo que seja a mais infeliz das situações, mesmo que sangrem os olhos e os corações dos golpes desferidos pelo ente amado. As amarras não se soltam, porque é pior estar só.
2 - A de que somos uns infelizes e desgraçados seres humanos, só porque não temos o tal par, não temos jantares românticos, não oferecemos nem recebemos flores vermelhas nem peluches com corações. E depois? Deixamos de ser pessoas por isso? Porque vivemos atormentados com essa estúpida ideia? Só porque somos estúpidos. Blind poor stupid people. Mas isso acontece porque há uma discriminação parola em relação a pessoas que se assumem livres e devolutas. "ai, mas ainda não arranjaste marido???", diz-me a Tia Maria de vez em quando na mercearia lá da terra. "Não, Tia Maria, tenho mais que fazer.”, digo eu. "mas olha que ficas para tia!!!!", diz ela. "Ná... isso é que não fico... não tenho irmãos, posso lá alguma vez ficar pra tia...", digo eu outra vez. "pois.. mas olha que vais ficando entradota e depois ninguém te pega..." Diz ela. "Deixe lá, depois faço uma OPV sobre mim própria..." , e com esta é que eu a calei... mas só porque ela não sabia o que era uma OPV. Mas que a Tia Maria diga isto, é normal. A tia Maria tem 70 anos, e nunca saiu da aldeia, para ela, ter marido é condição sine qua non para se ter uma vida decente. Mas que o digam pessoas supostamente esclarecidas, não há magnanimidade que aguente. E que as há, há.... Sozinhos, mas existem outras coisas. Olhem, liberdade de escolha, por exemplo.... Liberdade, no sentido lato. No socks to sew...., pelo menos. E valoriza-se o nosso próprio eu, sem apêndices; a falha, como o sucesso, são da nossa responsabilidade, o tempo também é nosso. E assim podemos gastá-lo com outras coisas. E o mesmo que se diz da alma, diga-se também em relação ao corpo.
3 - A ideia da necessidade de um corpo diariamente ao lado do nosso (ou noutra posição qualquer).... bem, questionável, ainda que a ideia não seja má de todo. Mas que seja por paixão, por desejo, por afinidade, por amor, por amizade, porque sim... mas nunca por comodismo. Corpos são corpos, e o prazer pode obter-se de muitas maneiras... mas corpos também são pessoas. Não as podemos prender, nem a elas, nem a nós próprios. O sexo não pode prender, antes deve libertar. O problema grave e complicado é que, se por um lado se desprestigiou a relação duradoura, vigorando o regime do usa-e-manda-para-a-reciclagem, por outro lado há por aí muita relação se vai mantendo à base de comodismo e inércia. Hélas.
É necessário levantar o real traseiro do banquinho minúsculo (desculpa, A., plagiei esta...) onde vivemos agachados, levantar a cabeça e seguir em frente. Soltar amarras, procurar o que quer que seja que nos realiza verdadeiramente, não por 2 minutos e meio, mas durante o tempo necessário para desfrutarmos dessa felicidade. Ideias fixas, estereótipos fabricados pela Coca-Cola não, por favor. O conceito de felicidade devia ser construído pela mão de cada um, com as directivas que para si são importantes. Sem censuras, sem discriminações, sem bloqueios.
Ideiafix é um cãozinho amoroso, cuja ideia fixa é seguir religiosamente o seu gordo dono das calças às riscas.
Não à subserviência.
C´est tout.
segunda-feira, dezembro 28, 2009
#5. Filosofia de Ponta: Reminiscências e Raízes
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Amizade pura
Sem entraves, sem névoas,
a amizade é um límpido lago, vasto,
que nunca se esgota, não evapora,
apenas vai mudando de forma ao logo dos anos.
A erosão do tempo não o gasta, apenas apura,
reforça as suas bases e abrilhanta a sua superfície.
a pureza das suas águas torna-se cada vez mais refinada,
e não se contamina de forma alguma,
nem o lodo da distância lá consegue alastrar.
Amigos, dos verdadeiros,
são aqueles que temos no coração a vida toda,
e que não esquecemos mesmo que estejam longe da nossa vista.
São vocês. Vocês sabem.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
O Erro e o Breu
terça-feira, fevereiro 10, 2009
#4. Filosofia de Ponta: A crise do ser social
domingo, dezembro 09, 2007
# 3 Filosofia de Ponta: Das pessoas que amamos e odiamos
sexta-feira, novembro 02, 2007
§ 2 - Filosofia de Ponta: Jogos de computador
Jogos de Computador: odeio-os. Coisinhas mais irritantes, esses dispositivos de fazer perder tempo às pessoas que se viciam neles, e pior, às pessoas que vivem à volta destas. Eu diria mesmo que são uns apetrechos do Demo.
Nas crianças, compreende-se. Pode até mesmo ser educativo. A miudagem gosta destas coisas de encarnar personagens, viver mundos e vidas diferentes, matar sem morrer, morrer sem matar, ou as duas coisas ao mesmo tempo, dare saltos hercúleos e voar, conduzir carros velozes e barcos elegantes, viver segundas vidas virtuais (gostava de ser isto, gostava de ser aquilo, etc.).
Raio de coisa mais viciante, quem a inventou deve andar a arder no inferno - se não anda, já lá deve muitos anos! Se o fervor para tudo fosse o mesmo que algumas pessoas tem para jogar nestas coisas, caramba, que o mundo girava tão mais depressa que se fazia noite ao meio dia....
Os miúdos nascem a saber mexer num pc. E coisas como pintar livros, construir carrinhos de rolamentos, andar de bicicleta, jogar à bola, isso é para os "tristes" que não tem um... (para mim, esses os verdadeiros sortudos...). e depois, há que comprar jogos a cada 15 minutos, porque o consumismo assim o exige, e o que agora é "muita fixe", daqui a 2 segundos é "uma seca". E um pai que não ponha um pc à disposição da criança... é fuzilado imediatamente com o desprezo do "o pai do Zézinho é melhor do que tu, porque lhe deu um computador e jogos, e eu queria é ser filho dele"...Primícias dos tempos modernos, é o que é.
Exceptuando as crianças, são dois tipos de pessoas, as que se viciam em jogos de pc: o indivíduo que é um estratega nato, e joga para testar e exercitar a sua argúcia, e o típico nerd que abomina a sua vida real e dá prevalência à sua existência virtual.
No primeiro caso, não é de censurar, apenas tem como ponto negativo o dispêndio incessante de horas para terminar um jogo, e provar a sua hegemonia face à tecnologia. Prefira-se jogos de cariz militar (jogos de guerra, in your face, luta, etc.) ou social (construção e manutenção de cidades, civilizações, património, ou então jogos de futebol, ou outros desportos, etc.), o estratega começa um jogo e não mais pára até conseguir atingir uma resma de objectivos a que se propõe, querendo visceralmente vencer a máquina, e ser declarado o maior, o dominante, o master and commander. Normalmente, depois de terminar um jogo, e vencer a máquina, ninguém o atura. Pelo menos até arranjar outro jogo (coisas de homens - com as mulheres, em geral tendem a fazer o mesmo...).
No segundo caso, é grave... o nerd começa por se lamentar da vida baça que tem, e começa a procurar existências paralelas, em que ninguém o conheça, ninguém sequer o veja, e onde se possa gabar do que não é, achando assim que a sua aceitação por parte da comunidade - a maior parte, virtual, também - será mais fácil. Este indivíduo adora chats, jogos de simulação de personagens - o Sims, ou o Second life, por exemplo - e normalmente é o oposto daquilo que apresenta na sua vida virtual. Cuidado com ele. Até porque, como faz o possível para se omitir à vida real, passando todos os minutos que pode na sua vida virtual, que prefere, descurando coisas importantes como a saúde, o aspecto, a habilidade de lidar socialmente com pessoas de carne e osso , enfim, todas as coisas que nos ensinam desde pequenos, desde o primeiro dia em que ouvimos a frase "nenhum homem é uma ilha". Os nerds são uma ilha, rodeada de cabos de pc por todos os lados. O limiar da realidade confunde-se, passado uns tempos de excesso de omissão social, com essa twilight zone que é a realidade virtual, e os indivíduos, muitas vezes, regridem ao estado de homem das cavernas, ainda que um homem das cavernas tecnológico. Não falam, grunhem, e teclam à velocidade da luz, comem comida de plástico e sandes de atum, bebem coca-cola e café para estarem acordados e online o máximo de horas, e, geralmente, têm borbulhas, maus dentes, falta de cabelo, corcunda e chagas no rabo (devido à posição em que passam tanto tempo, sentados frente ao pc).
Os primeiros, são normalmente saudáveis, cabe-nos a nós, mulheres que os têm assim, tentar vencer também a máquina, conseguindo desviar a atenção dos nosso estrategas para nós próprias (qualquer mulher sabe, no fundo, como fazê-lo) - para esses, há salvação.
Os segundos... Recomenda-se uma marreta e força para partir o pc todo e esmigalhar os cabos de internet. Depois, um internamento numa clínica de desintoxicação, para restabelecer o corpo de todas as maleitas que apanhou por falta de se cuidar. E depois, uma dose cavalar de VIDA SOCIAL, para uma restruturação pessoal completa. E uma providência cautelar de obrigação de afastamento de computadores com internet de, pelo menos, uns dez anos.
Não nego que há jogos engraçados, que fazem puxar pela cabeça e prendem a atenção. Mas o que é demais é erro, e enjoa, ainda por cima...
segunda-feira, outubro 01, 2007
§1. Filosofia de Ponta - O Levantar de manhã
O que pensamos quando nos levantamos todas as manhãs? O leitor já pensou bem na 1ª palavra que lhe vem à cabeça quando acorda de manhã? Ou na primeira coisa que vê? Ou no primeiro som que ouve?
É um exercício fácil, basta colocar um bloco de apontamentos e uma caneta ao pé da cama, e apontar logo que acorde (de preferência, mesmo antes de ir usar o WC, se der tempo).
Já agora, junte-lhe a recordação imediata que tem dos sonhos dessa noite. Só para compor o ramalhete.
Garantidamente, o resultado pode oscilar entre o mais perfeito non-sense, e o mais completo retrato da realidade humana. Ou os dois ao mesmo tempo, quem sabe. Senão vejamos: A primeira coisa que ouço de manhã são os meus gatos a raspar a porta do quarto. Significa, em primeiro lugar, que fechei a porta, antes de me deitar. Em segundo lugar, quer dizer que os bichanos têm fome. Isto tudo, significa que tenho gatos, o que pode dizer muito sobre a minha personalidade, ou sobre o meu estilo de vida.
Se eu tiver um cão posso ouvi-lo ladrar, a pedir para ir à rua, e isso quer dizer que as minhas manhãs podem ser até muito refrescantes, porque começam sempre com um passeio ensonado em pijama, pela fresca, para levar o cãozinho a fazer as necessidades à rua, passando pelo apanhar das mesmas para um saco, pôr no lixo, e voltar para casa para lavar as mãos. Se eu fizer isto assim, até sou uma pessoa civilizada, se não, sou uma javarda sem responsabilidade social nenhuma (enfie a carapuça quem quiser...).
Se não tenho animais de estimação, ou tenho mas são dos que não batem à porta (pequenos roedores, peixinhos num aquário, répteis, insectos, um tamagoshi ou até mesmo um animal embalsamado), a primeira coisa que se ouve de manhã pode ser qualquer coisa, e normalmente vem da rua ou da casa dos vizinhos - obras, carros, assobios, despertadores, rádios, coisas a cair (e a partir), pessoas a escarrar glamorosamente nos seus WC, bébés a chorar, autoclismos... uma parafernália de sons das mais variadas origens, que mais dizem sobre o tipo de casa e de localização em que vivemos, do que sobre nós próprios.
E, claro, destes sons depende a primeira coisa que nos vem à cabeça assim que abrimos os olhos para o mundo. E esta depende ainda de como temos o quarto em que dormimos. E do stress em que andamos, e ainda do que fizemos antes de adormecer.
O quarto. Escuro como breu, desarrumado até ao tecto? O seu proprietário gostaria de ficar a dormir até ao meio dia, por isso, se acorda mais cedo, pensa "Bolas... já é de manhã...", ou coisa pior. Janela aberta, luz do dia a entrar às 7h da matina (sem ter sido por esquecimento de a fechar)? Ah, aí então temos um madrugador, que pensa "ora vamos lá, mais um dia!", ao mesmo tempo que se levanta da cama, com pulo ou sem ele. Mas aqui ainda temos uma variante: aqueles que programam o despertador para mais cedo do que é preciso, e gostam de deixar a luz entrar, para gozar aqueles 30 minutinhos de puro prazer que é o acordar lentamente para a vida. Sorna pura.
Depois, o nosso primeiro pensamento do dia passa pelos sons - se acordamos estremunhados com uma barulheira infernal vinda de fora (Comboio, businas, rectro-escavadoras, uma vizinha que canta mal, berros, um buzzer insistente, música foleira, o Family Frost, anúncios de touradas e circos, uma banda de música ou zés-pereiras), acordamos irritados e a pensar que temos que mudar de casa rapidamente; se a barulheira vem de dentro de casa, acordamos ainda mais irritados, e ainda por cima apreensivos com a causa do barulho - alguma coisa correu mal, e aí o salto da cama é peremptório, assim como toda a manhã pode ficar arruinada, dependendo do estrago produzido e da possibilidade de culpar alguém.
Mas o que ouvimos pode ser bom, suave e melodioso. O nosso despertador pode contribuir para isso, com a nossa música preferida, o nosso ente amado pode simplesmente sussurrar ao nosso ouvido coisas românticas, ou o nosso filho pode vir acordar-nos com um beijo. O ronronar de um gato com fome também serve. Latidos e lambidelas de cão, não obrigada, mas para quem gosta... Whatever.
Se andamos stressados, acordamos a pensar nos problemas, nas urgências, nas chatices. É aborrecidíssimo, estraga, pelo menos, a manhã, e faz rugas e cabelos brancos. Mas acontece amiúde a toda a gente, até mesmo nas crianças, de quem se diz que nunca tem problemas. Faz parte da nossa existência sermos nós próprios a martirizar-nos com coisas que não conseguimos resolver durante o tempo em que estivemos a dormir - é uma fatalidade, dormir umas horas, poucas ou muitas não interessa, e acordar a constatar que o problema continua teimosamente na mesma, não se resolveu, apesar de estarmos a acordar para um novo dia.
Nos meus tempos de estudante, a maior parte das vezes sonhava que estava a fazer os exames que tinha no dia a seguir, e acordava no alívio - durante 5 segundos - de já os ter feito. Depois era uma chatice ver que tinha que me levantar para ainda os ir fazer.
O que fizemos antes de adormecer? Adormecemos frente à TV, a ler ou na internet (sim, há pessoas que levam os pc portáteis para a cama...), bebemos demais, fizemos amor, adormecemos ao lado de um filho com insónias? às vezes, os próprios sonhos dependem disso, mais ainda a maneira como acordamos. Por exemplo, se adormecemos no sofá em frente à TV, acordamos cheios de dores nas cruzes, e pensamos "gaita para isto!"; Adormecer depois de fazer amor pode trazer um acordar cheio de mel (acordamos ao lado do nosso ente amado, e vivemos aquela sensação de profundo conforto do sentimento do amor, e pensamos "Amo-te"), ou não, dependendo do contexto em que aconteceu (quem nunca ouviu contar aqueles casos do famoso "Credo!! Mas quem é esta(e)?!" ). Adormecer a trabalhar, na internet ou a ler pode ser penoso, porque normalmente acordamos em cima de qualquer objecto menos confortável, e temos a pele vincada e magoada, e isso pode doer. Adormecer a tentar adormecer uma criança, pode trazer um acordar muito ternurento, ou então também pode gerar um acordar súbito, se a criança acorda primeiro e calha de se assustar...
Os sonhos, esses, há muito quem os tente interpretar, mas eu não percebo nada disso. Raramente me lembro do que sonhei, e quando me lembro é mau sinal, porque foi um pesadelo, e acordei sobressaltada e a pensar em coisas terríveis. Detesto quando isso acontece.
Mas influem na nossa maneira de acordar, os sonhos. Para quem se recorda sempre deles, podem determinar um dia cheio de positividade, ou um dia péssimo. Se sonhamos com coisas boas, só podemos esperar que o nosso dia seja assim, na mesma medida; se sonhamos com coisas más, temos que passar o dia a evitar que aconteçam coisas dessas, que é especialmente possível que aconteçam, dada a nossa propensão para o negativo.
O Feng Shui (China), é uma arte que estuda a análise da energia ou força viva que existe no universo, na natureza e nos objectos, e pode influir na nossa maneira de acordar de manhã. Um posicionamento correcto do quarto e seus objectos pode afastar o negativismo e fazer-nos acordar de manhã a pensar em coisas boas.
Para mim, os quartos deviam ser todos voltados para Nascente, para que se possa acordar com a luz do sol da manhã. Mas nem todas as casas permitem isto, já se sabe. E nem todas as pessoas se levantam a horas de ver o sol despontar de manhã - há quem se levante bem mais cedo, e há quem se levante bem mais tarde.
Acordar ainda de noite é aborrecido para o cidadão normal, mas uma necessidade profissional para muitos - quando se torna um hábito, calculo que não trará negativismo, não sei. Todas as vezes que tenho que me levantar ainda de noite, acordo com um mau feitio monumental, a pensar em esganar alguém, e por isso não faço isso muitas vezes.
Quem não gosta de levantar cedinho, com os primeiros raios de sol? Ok, muita gente não gosta, prefere ser acordado com a expressão "ACORDA; ANDA ALMOÇAR!!!!". São gostos. Pelo menos assim, acorda-se a pensar em comida, até que nem é mau.
Seja como for, pelo menos para mim, a maneira como se acorda, o que se pensa, o que se ouve, influi em muito no que se faz, e como se faz, a seguir. Tal e qual como quando se começa uma nova vida - o que fizemos antes vai determinar o que vamos fazer depois. Mais, o perfil do indivíduo pode ser maioritariamente caracterizado de uma maneira, mas este pode experienciar, em diversas fases da sua vida, outras. Eu posso ser uma pessoa muito calma, e ter um acordar sempre bem-disposto, mas posso ter dias em que acordo com a telha. Acontece, somos humanos, e complicados, por alguma razão.
terça-feira, setembro 25, 2007
A dor da Culpa
Mentes perversas, consciente obscuro
escondem em si a mentira de fingir a dor;
enganam o incauto com a docilidade de anjos,
caindo na graça da solidariedade cega
daqueles que não observam o que não se vê.
Lágrimas de água morta,
de chuva ácida,
que poluem a alma dos que querem ter fé;
Palavras de falsa esperança,
que impregnam o ser, dominam-no,
e o fazem mover consoante a maré dos seus intentos.
Vis intentos...
A expressão seca, de cera feita,
da mãe que perde um filho por querer,
querendo esconder de todos a dor da culpa,
disfarçando-a de dor da perda.
Dois mundos,
o mundo vilão, ardiloso e sujo,
de quem quer esconder e enganar,
e o mundo crédulo, solidário e generoso,
de quem crê na bondade das intenções.
Pobre criança.
Quisera o destino que tivesse uma vida diferente,
uma família diferente,
e ainda hoje sorriria frente a uma montra de brinquedos.
(c) Bluerussian
quinta-feira, junho 28, 2007
Só
domingo, junho 24, 2007
O vento que passa
Ventos de nortada
varrem o sentido do espírito,
terça-feira, junho 05, 2007
Myra # 6 Jornais e maçãs
A ânsia
do Universo.
Vida, alma, morte, saber,
tudo resulta, a seu tempo certo,
na existência do ser frágil humano,
que busca, mesmo sem saber,
mas sabendo - o seu próprio, e inelutável, fim.
Bluerussian, Junho 2007
terça-feira, maio 15, 2007
Para Ti



